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Lagarto-de-água (Lacerta schreiberi)

Lacerta schreiberi Lagarto-de-água
Iberian Emerald Lizard

Reino: Animalia
Filo. Chordata
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Lacertidae
Género: Lacerta
Espécie: L. schreiberi (Bedriaga, 1878)





1. DESCRIÇÃO

1.1 Aspeto
Lagartos de aspeto robusto e com uma longa cauda.

1.2 Dimensão
O comprimento cabeça-corpo pode chegar aos 13 cm, no entanto, a longa cauda pode chegar a medir duas vezes o tamanho do corpo. Pode chegar a atingir os 35 cm de comprimento total.


1.3 Coloração
Inconfundível. Os machos apresentam a cabeça de coloração azulada durante a época de reprodução. Apresenta tons esverdeados a amarelados e com alguma densidade de pontos negros uniformes. Mas também pode apresentar um tom acastanho e com manchas pretas grandes. O ventre possui uma coloração amarelada com ou sem pigmentação. A garganta possui tonalidades azuis durante a época de reprodução, no resto do ano apresenta uma coloração esbranquiçada.



1.4 Dimorfismo sexual
Espécie com acentuado dimorfismo sexual. Os machos apresentam menor tamanho corporal, no entanto, apresentam a cabeça e o corpo mais robusto. A coloração e o padrão dorsal são diferentes entre machos e fêmeas, os machos apresentam a cauda mais curta e os machos apresentam a tão caracteristica cabeça com coloração azul durante a época de reprodução, as fêmeas podem apresentar alguma tonalidade azul na garganta, mas com menor intensidade e frequência.

1.5 Espécies similares
É uma espécie inconfundível. Os machos, as fêmeas e os juvenis são facilmente identificáveis pela sua coloração.


2. HABITAT

2.1 Onde observar
Espécie típica de zonas húmidas com precipitações anuais superiores a 600 mm, frequente em cursos de água com coberto vegetal denso ou próximo dos mesmos, com estrato arbóreo dominado pelo amieiro (Alnus glutinosa), o vidoeiro (Betula pubescens), o castanheiro (Castanea sativa), o carvalho-roble (Quercus robur) ou o carvalho-negral (Quercus pyrenaica).

2.2 Altitude
Presente desde o nível do mar até ao máximo registado de 1800 m de altitude na região da Serra da Estrela. Em Espanha pode atingir os 2100 m.


3. DISTRIBUIÇÃO

3.1 Em Portugal
Distribuição contínua a norte do Rio Tejo, com alguns isolados na serra de Sintra, serra de Montejunto e Caldas da Rainha. A sul possui populações isoladas nas Serras de S. Mamede, Cercal, Brejeira e Monchique.

3.2 Na Península Ibérica
É uma espécie endémica da Península Ibérica. Apresenta uma distribuição circunscrita ao Noroeste Peninsular (Norte de Espanha) e ao Sistema Central.

3.3 No Mundo
Endémica da Península Ibérica.

Juvenil ainda com a garganta esbranquiçada.
4. ECOLOGIA

4.1 Hábitos
Espécie ativa entre Feveiro até Outubro. Possuem período de repouso invernal. Os machos "acordam" mais cedo que as femêas. A sua temperatura corporal ronda os 31 a 32º C. Podem viver até aos 8 anos. Para escaparem aos predarores, permanecem camuflados por entre a vegetação, possuem a capacidade para libertar a cauda.

4.2 Reprodução
Começa na primavera e termina a meados do verão. Os acasalamentos decorrem entre Abril e Julho, as posturas são entre Maio e Julho em locais expostos e com pouca vegetação. Põem entre 6 e 17 ovos, dependendo do comprimento da femêa. Depois de dois a três meses de incubação ocorre a eclosão, e a maturidade sexual é atingida aos três ou quatro anos, quando atingem um comprimento cabeça-corpo de 90 mm.

4.3 Alimentação
Alimenta-se de pequenos invertebrados. Os seus preferidos são: moscas, mosquitos, gafanhotos e escaravelhos. Por vezes alimentam-se de frutos silvestres.

4.4 Vocalização
Não possui.

4.5 Predadores
Pode ser predado por várias aves de rapina (como o peneireiro-vulgar ou a águia-de-asa-redonda), cegonhas e por vezes, por mamíferos carnívoros (como a gineta ou a lontra).


5. CONSERVAÇÃO

5.1 Estatuto de Conservação
ICN: Pouco Preocupante (LC)
IUCN: Near Threatened (Quase Ameaçado)

5.2 Problemas de Conservação
População em regressão, devido ao elevado grau de fragmentação, especialmente das populações isoladas.
A regularização dos sistemas hídricos, leva à transformação dos cursos de água em valas artificiais com a uniformização do substrato o que acaba por destruir a mata ripícola e reestrutura as margens de forma artificial.
A construção de barragens implica a submersão de grandes áreas de habitat a montante, criando graves descontinuidades entre as populações a montante e a jusante da barragem.
A poluição resultante de descargas de efluentes não tratados de origem industrial, urbana e de unidades de pecuária, a par com fontes de poluição difusa devidas à intensificação da utilização de pesticidas e fertilizantes na agricultura, cria situações de elevada eutrofização do meio, com a consequente perda da qualidade da água.
A destruição da vegetação ripícola, devido a ações de limpeza, aproveito de terrenos para fins agropastoris ou plantações florestais com espécies de rápido crescimento.
Os fogos florestais podem destruir a vegetação ripícola.
A implantação de infraestruturas em áreas circundantes às linhas de água leva à destruição do habitat.

5.3 Medidas de Conservação
Manter ou incrementar (consoante as áreas) as populações de Lacerta schreiberi e a sua variabilidade genética. Manter a área de ocupação actual. Recuperar o habitat de alimentação, de reprodução e de abrigo.


6. BIBLIOGRAFIA

6.1 Portuguesa
  • Almeida, N.F., Almeida, P.F., Gonçalves, H., Sequeira, F., Teixeira, J. & Almeida, F.F. (2001) Guia FAPAS Anfíbios e Répteis de Portugal. FAPAS. Porto. 249pp
  • Brito JC (2005). Estratégia de Conservação do Lagarto-de-água em Portugal. http://www.naturlink.pt.
  • Brito JC, Paulo OS, Luís C, Godinho R, Rosa HD, Brito e Abreu F & Crespo EG (1996a). Bases para uma Estratégia de Conservação de Lacerta schreiberi e seus Habitats. Relatório Final. Grupo de Conservação Biológica do Centro de Biologia Ambiental, Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa.


6.2 Estrangeira
  • Paulo Sá-Sousa, Rafael Marquez, Valentin Pérez-Mellado, Iñigo Martínez-Solano 2009. Lacerta schreiberi. In: IUCN 2012. IUCN Red List of Threatened Species. Version 2012.1.<www.iucnredlist.org>.
  • Blanco JC & González JL (eds.) (1992). Livro Rojo de Los Vertebrados de España. Ministerio de la Agricultura, Pesca y Alimentacion, ICONA. Madrid.
  • Brito JC, Brito e Abreu F, Paulo OS, Da Rosa HD & Crespo EG (1996b). Distribution of Schreiber’s green lizard (Lacerta schreiberi) in Portugal: a predictive model. Herpetogical. Journal 6: 43-47.
  • Brito JC, Godinho R, Luís C, Paulo OS & Crespo EG (1999). Management strategies for conservation of the lizard Lacerta schreiberi in Portugal. Biological Conservation 89 (3): 311-319.

6.3 Websites

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